- Leve embora tudo, de uma vez. Leve embora minha sensatez. - Implorou Mariana, com o olhar cheio de desejo.
- As correntes que te arrastam de volta ao passado são as mesmas que hoje deixam marcas na minha pele.
Ela nunca negou ser uma Drama Queen. Ele adorava.
- Corre pela boca aquela vontade absurda de despejar toda minha
insegurança em você. Aquela vontade absurda de que você corra na direção
da minha boca.
Respirou fundo… e entregou toda sua dramaticidade, de uma vez só:
- Vontade absurda de morrer na tua boca.
Entrega total. Era o que ela buscava. Ele, temia.
- Toma, minha vida agora é tua. Faça o que bem entender. - A voz trêmula de Mariana. Era sempre assim quando se emocionava.
- Mas o que você pretende que eu faça? O gosto Dela ainda mora na minha boca. Ela é o meu mal necessário.
Ele odiava admitir. Mas Pedro não esqueceu da Outra… Parece que nunca vai esquecer.
- Não vê que ela vai te despedaçar, mais uma vez? Espera que eu seja seu conforto quando isso acontecer?
Mariana odiava Aquela com todas suas forças. Pedro não merecia alguém que brincasse com os seus sentimentos.
- Você espera por mim? - Pedro pergunta, como um último apelo.
Não é que ele não gostasse de Mariana… Pelo contrário. Se encaixavam
perfeitamente. Mas Pedro tinha seu ponto fraco, Aquela aparecia sempre
que ele encontrava um modo de esquece-la.
Mesmo sabendo que esperaria, que contaria os segundos até que Pedro
voltasse, Mariana vestiu-se de sua própria heroína e respondeu:
- Não vou esperar por você. Adeus, Pedro.
E desde então, Pedro se faz presente em forma de lágrima, que se acomoda no travesseiro que costumavam dividir.
Desde então, Pedro mora entre as palavras de Mariana. Em cada texto que ela escreve, em cada frase elaborada em sua mente.
Pedro continua impregnado na boca de Mariana. E parece que nunca mais vai sair.
(28.O8.2O11, 20h18, Pedro e Mariana.)
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