domingo, 5 de fevereiro de 2012

Gota.

E quando o Sol chegou, dobrou a esquina, com a mesma força e determinação de quem dá um passo diante do abismo.

A fuga é para a sombra, para que o ambiente se iguale ao seu interior.

Espera pela chuva. Essa que antes de se chocar ao chão, corre pelo corpo em busca do pior de cada um e em suas gotas, carrega o pior do mundo. O impacto ao chão anuncia que é hora de evaporar a escória das almas e elevá-las ao céu para que ocupe e atormente todos os deuses.

Os deuses agora estão ocupados e se importam ainda menos com o mundo terrâneo.

As almas estão puras e é hora de recomeçar o ciclo do apodrecimento interior. Ninguém vive com a alma pura e a mente limpa eternamente.

A virgindade dos dias de chuva duram apenas um passo, um piscar de olhos.

Fechou os olhos e olhou para dentro. O ar era fresco, o líquido de suas entranhas era límpido. Era livre, dentro de si.

A última gota caiu em seus cabelos e escorreu até sua boca. Lambeu os lábios aproveitando seu último segundo de trégua.

Voltou ao Sol. O ciclo recomeça.

(1O.O1.2O12, 9h51, chuva.)

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