E quando o Sol chegou, dobrou a esquina, com a mesma força e determinação de quem dá um passo diante do abismo.
A fuga é para a sombra, para que o ambiente se iguale ao seu interior.
Espera pela chuva. Essa que antes de se chocar ao chão, corre pelo
corpo em busca do pior de cada um e em suas gotas, carrega o pior do
mundo. O impacto ao chão anuncia que é hora de evaporar a escória das
almas e elevá-las ao céu para que ocupe e atormente todos os deuses.
Os deuses agora estão ocupados e se importam ainda menos com o mundo terrâneo.
As almas estão puras e é hora de recomeçar o ciclo do apodrecimento
interior. Ninguém vive com a alma pura e a mente limpa eternamente.
A virgindade dos dias de chuva duram apenas um passo, um piscar de olhos.
Fechou os olhos e olhou para dentro. O ar era fresco, o líquido de suas entranhas era límpido. Era livre, dentro de si.
A última gota caiu em seus cabelos e escorreu até sua boca. Lambeu os lábios aproveitando seu último segundo de trégua.
Voltou ao Sol. O ciclo recomeça.
(1O.O1.2O12, 9h51, chuva.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário