terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Desejo cego.

Naquela noite, não se enxergou nada.

Lábios moviam, ora para soltar sussuros, ora para serem ocupados por outros lábios.
Abriam-se, abrindo espaço também para a língua, que ora explorava, ora era explorada.

As mãos passeavam pelos corpos. Desenhavam seus contornos, sentiam a pulsação do desejo, sempre trazendo o outro corpo mais para perto, mais para dentro.

Sentia-se a respiração ofegante, e o ar quente e úmido da outra boca passava pelo seu pescoço, pela sua orelha...

O cheiro agradável dos cabelos que insistiam em cair sob o rosto, enquanto aquela mão segurava com força os cabelos da tua nuca, que suava e tremia de tanto desejar.

A pressão do corpo contra a parede, a pressão de um corpo contra o outro. Quadris coladodos, lábios unidos e desejos entrelaçados.

Os corpos se soltaram, embriagados por sua mistura.

Naquela noite, não se enxergou nada. 

Um comentário:

  1. muitas mulheres sonham serem homenageadas por um poema como esse ,poucas são mas menos ainda são os homens homenageados (em versos) por mulheres

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