Sobe as escadas e adentra o quarto, como se nada tivesse mudado.
Os mesmos movimentos, o mesmo trajeto… deixa o peso do corpo cair sobre a cama. (dessa vez, sem impacto)
O pensamento voa tanto quanto a alma.
A calmaria da melodia preferida invade sua audição, sem que ela coloque a música para tocar.
Canta. Sua voz ecoa.
Levanta-se para dançar e seus pés flutuam, presos somente ao som.
Dançou por horas. Sem cansaço e sem suor.
Tudo havia mudado. Não havia mais tristeza no seu quarto.
O santo quebrado, livros espalhados, ingressos amassados. Recordação de um passado.
[O tiro disparado. Mudo. Calado.]
Passos na escada, firmes e decididos. Reais.
Ainda ouviu o suspiro do peito que soluçava do outro lado da porta.
Sorriu, como convite de boa vinda, ao ouvir o girar da maçaneta.
Os passos foram em direção à ela. Esperava o abraço.
O corpo transpassou o seu.
Calada, sorriu… Desesperada.
O abandono da calma pra a dimensão da alma. Transborda.
Acolheu a calma e a alma foge. Acolheu o caos para expansão do ser…
Alma.
(18.1O.2O11, 23h34, transpassar.)
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