domingo, 5 de fevereiro de 2012

Alma.

Sobe as escadas e adentra o quarto, como se nada tivesse mudado.

Os mesmos movimentos, o mesmo trajeto… deixa o peso do corpo cair sobre a cama. (dessa vez, sem impacto)

O pensamento voa tanto quanto a alma.

A calmaria da melodia preferida invade sua audição, sem que ela coloque a música para tocar.

Canta. Sua voz ecoa.

Levanta-se para dançar e seus pés flutuam, presos somente ao som.

Dançou por horas. Sem cansaço e sem suor.

Tudo havia mudado. Não havia mais tristeza no seu quarto.

O santo quebrado, livros espalhados, ingressos amassados. Recordação de um passado.

[O tiro disparado. Mudo. Calado.]

Passos na escada, firmes e decididos. Reais.

Ainda ouviu o suspiro do peito que soluçava do outro lado da porta.

Sorriu, como convite de boa vinda, ao ouvir o girar da maçaneta.

Os passos foram em direção à ela. Esperava o abraço.

O corpo transpassou o seu.

Calada, sorriu… Desesperada.

O abandono da calma pra a dimensão da alma. Transborda.

Acolheu a calma e a alma foge. Acolheu o caos para expansão do ser…

Alma.

(18.1O.2O11, 23h34, transpassar.)

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