domingo, 5 de fevereiro de 2012

Poesia Cotidiana

Gosto da poesia cotidiana.

Onde a beleza mora no sorriso da empregada doméstica, com a bolsa colada na cintura levando seu suado sálario. A beleza mora no surrado boné amarelo se destacando em meio à multidão, mora na música cantarolada pelo jovem que usa a rua de cenário para as palavras do cantor que mora no mundo de seus fones de ouvido, mora na arte desprezada por muitos mas que persiste enquanto pelo menos um observá-la na correria de seu dia-a-dia.

Estátuas vivas, malabaristas, cantores, instrumentistas que fazem da calçada palco de suas apresentações. Como se nos disessem: ''Olha! Olha a arte a tua volta. Olha, eu colorindo sua rua! Me olha e então, M(olha)! Molha sua alma nas águas da arte.''

E nós, trancafiados no sistema que nos foi imposto, estendemos um trocado para esses artistas achando que NÓS é que estamos fazendo uma boa ação! Ora, deixemos de ser tolos! E junto com o trocado (já que mania não se larga tão fácil), ofereça um abraço ou um muito obrigado!

Nunca mais reclame do idoso ''atrapalhando seus passos''. Este te faz parar, de fato. Mas que te faça parar para contemplar o seu futuro, pare e perceba quanta sabedoria há de ser acumulada até chegar na idade deste, que te fez parar. Quantas histórias, quanta vivência! Tantas que lhe fazem andar lentamente, se apoiando nas paredes. O maior peso que se pode carregar, é o peso da própria vida.

Mora. Moradia.

Poesia: mora(dia) e noite em nossas vidas.

(O4.O4.2O11, 00h16, ideia que vem sendo elaborada desde sexta após andar pelas ruas, até hoje, depois de uma peça de teatro.)

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