Gosto da poesia cotidiana.
Onde a beleza mora no sorriso da empregada doméstica, com a bolsa
colada na cintura levando seu suado sálario. A beleza mora no surrado
boné amarelo se destacando em meio à multidão, mora na música
cantarolada pelo jovem que usa a rua de cenário para as palavras do
cantor que mora no mundo de seus fones de ouvido, mora na arte
desprezada por muitos mas que persiste enquanto pelo menos um observá-la
na correria de seu dia-a-dia.
Estátuas vivas, malabaristas, cantores, instrumentistas que fazem da calçada palco de suas apresentações. Como se nos disessem: ''Olha! Olha a arte a tua volta. Olha, eu colorindo sua rua! Me olha e então, M(olha)! Molha sua alma nas águas da arte.''
E nós, trancafiados no sistema que nos foi imposto, estendemos um
trocado para esses artistas achando que NÓS é que estamos fazendo uma
boa ação! Ora, deixemos de ser tolos! E junto com o trocado (já que
mania não se larga tão fácil), ofereça um abraço ou um muito obrigado!
Nunca mais reclame do idoso ''atrapalhando seus passos''. Este te faz
parar, de fato. Mas que te faça parar para contemplar o seu futuro, pare
e perceba quanta sabedoria há de ser acumulada até chegar na idade
deste, que te fez parar. Quantas histórias, quanta vivência! Tantas que
lhe fazem andar lentamente, se apoiando nas paredes. O maior peso que se pode carregar, é o peso da própria vida.
Mora. Moradia.
Poesia: mora(dia) e noite em nossas vidas.
(O4.O4.2O11, 00h16, ideia que vem sendo elaborada desde sexta após andar pelas ruas, até hoje, depois de uma peça de teatro.)
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