Nem mesmo a chuva alegrava. Água não caia ressoando sua música, o som das gotas no telhado eram estridentes e irritantes.
O
corpo, as coisas que sabemos nomear que dentro dele funcionam,
funcionavam com normalidade. Mas sempre o que nos intriga é o que não
conhecemos e que está tão perto, dentro de nós.
Alma? Energia? Incansável a arte de tentar nomear o desconhecido.
E
naquele dia, era o desconhecido que saíra de órbita. Era confuso. Mais
confuso do que ter algo que não sabemos precisamente o que é habitando
nosso corpo. Mas se o que nomeamos orgãos, veias, pulsação, entranhas,
funcionavam perfeitamente, era mesmo o desconhecido que assombrava o
corpo. Se não bastaria um médico, um remédio e o problema seria
resolvido e nem ao mesmo seria motivo de escrita.
Para que fique
decretada a confusão, os sentimentos foram convidados para a história.
Então o dessasossego, a melancolia, a tristeza, dançavam livremente pelo
desconhecido, integrando-se a ele, exatamente por não ter explicação
plausível (apesar de ter nome).
Para o exterior e para aqueles
que julgam saber de tudo, o que acontecia dentro do corpo era o
descompasso. Mas o desconhecido sorria ao som harmonioso que
impulsionava a dança dos sentimentos. E pouco importava o exterior.
Para
o desconhecido, o limite é o desconhecimento. Assim, se evita as coisas
simples e fáceis de se explicar. Se evitam as coisas nomeadas e
invariáveis. O mecânico e o óbvio não importa. Tudo que existe
explicação, não importa mais. E para o que não há explicação, o
desconhecido não busca respostas. Na harmonia simples de aceitar o que é
inexplicavel e conviver com ele, ele, apenas, vive. ”E uma pessoa
grande jamais entenderá que isso possa ter tamanha importância!”
Era a dança da solidão, para o corpo.
Era a coreografia mais harmoniosa, para o desconhecido.
E nem 43 pores do sol foram suficientes para aqueles olhos.
Enquanto uma única estrela fez a alegria eterna do desconhecido.
(19.O1.2O12, 12h49, Pequeno Príncipe)
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