domingo, 5 de fevereiro de 2012

Desconhecido.

Nem mesmo a chuva alegrava. Água não caia ressoando sua música, o som das gotas no telhado eram estridentes e irritantes.

O corpo, as coisas que sabemos nomear que dentro dele funcionam, funcionavam com normalidade. Mas sempre o que nos intriga é o que não conhecemos e que está tão perto, dentro de nós.

Alma? Energia? Incansável a arte de tentar nomear o desconhecido.

E naquele dia, era o desconhecido que saíra de órbita.  Era confuso. Mais confuso do que ter algo que não sabemos precisamente o que é habitando nosso corpo. Mas se o que nomeamos orgãos, veias, pulsação, entranhas, funcionavam perfeitamente, era mesmo o desconhecido que assombrava o corpo. Se não bastaria um médico, um remédio e o problema seria resolvido e nem ao mesmo seria motivo de escrita.

Para que fique decretada a confusão, os sentimentos foram convidados para a história. Então o dessasossego, a melancolia, a tristeza, dançavam livremente pelo desconhecido, integrando-se a ele, exatamente por não ter explicação plausível (apesar de ter nome).

Para o exterior e para aqueles que julgam saber de tudo, o que acontecia dentro do corpo era o descompasso. Mas o desconhecido sorria ao som harmonioso que impulsionava a dança dos sentimentos. E pouco importava o exterior.

Para o desconhecido, o limite é o desconhecimento. Assim, se evita as coisas simples e fáceis de se explicar. Se evitam as coisas nomeadas e invariáveis. O mecânico e o óbvio não importa. Tudo que existe explicação, não importa mais. E para o que não há explicação, o desconhecido não busca respostas. Na harmonia simples de aceitar o que é inexplicavel e conviver com ele, ele, apenas, vive. ”E uma pessoa grande jamais entenderá que isso possa ter tamanha importância!”

Era a dança da solidão, para o corpo.
Era a coreografia mais harmoniosa, para o desconhecido.

E nem 43 pores do sol foram suficientes para aqueles olhos.
Enquanto uma única estrela fez a alegria eterna do desconhecido.

(19.O1.2O12, 12h49, Pequeno Príncipe)

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