o relógio marcava 13h01.
Camiseta molhada de suor e pouca lembrança da última coisa que tinha feito.
Pedro puxou o computador para o seu colo e se assustou com a data… Dormiu dois dias seguidos.
Em vez de escrever mais um texto que nunca enviaria, Pedro tomou
coragem para agir. Era o fundo do poço, não tinha nem mais vontade de
viver.
Caminhou descalço até a varanda e sentiu o vento contra o suor
impregnado na sua camiseta… Era tão covarde que não conseguiria nem
acabar com sua própria vida.
Calçou um tênis, vestiu uma camiseta branca limpa e seguiu, ainda desnorteado, em direção à rua.
Sem esforço algum, seus pés trilhavam o caminho da casa de Mariana. Quando se deu por si, estava parado em frente ao número 32.
Bateu firme na porta de madeira e saiu do alcance de visão do olho
mágico. Pode ouvir os passos lentos de Mariana, enquanto seu coração
batia mais forte do que nunca.
Mariana abriu a porta e ao ver Pedro seus lábios se separaram. Nenhum som saiu de sua boca.
Lágrimas escorreram pelo rosto de Pedro. Suas pernas cederam fazendo
que seus joelhos batessem contra o chão e com um esforço absurdo
conseguiu dizer:
- Volta pra mim. Eu te imploro.
Se levantou e tentou abraçar Mariana, que se esquivou por puro reflexo. Tomou a mão dele e disse: - Entra.
O apartamento continuava exatamente igual, só um pouco mais
bagunçado. Pedro se sentiu, verdadeiramente, em casa. Só faltava cores… a
paisagem era cinza agora.
Assim que sentaram no sofá, Pedro começou a despejar palavras no colo de Mariana.
- Você estava certa. Você sempre está certa. Eu não consigo viver sem
você e só pude perceber isso quando te perdi. Meu corpo está uma
bagunça desde que você partiu. Não tenho vontade alguma de viver, se
você não estiver do meu lado. Uma parte de mim morreu no momento em que
você partiu. Eu sou um egoísta, um imbecil, eu sei! Mas me perdoa. Eu
nunca mais te farei sofrer, me…
- Eu sabia que isso ia acontecer, Pedro. Melhor você parar agora,
antes de dizer que esse tempo todo estava tomando coragem para vir até
aqui. Ou antes que você fale que seu orgulho só te deixou vir agora. -
Mariana estava firme (ou seria seca?)
- Você me conhece. E se conhece, sabe que nada disso é mentira. Você
já me viu derramar lágrimas por alguém? Você, realmente, acha que não
estou sendo verdadeiro? Eu estou entregue, de corpo e alma. Eu sou um
covarde, tão covarde que não tive força para acabar com esse meu resto
de vida.
- O que você pretende com isso, Pedro? Que eu volte pra você agora
que Aquela desistiu de ti, como eu disse que aconteceria? Que eu cure
todas suas feridas pra você me abandonar quando qualquer Outra aparecer?
- Eu disse que você estava certa e sei como sou idiota de um dia, ter
desmerecido a melhor mulher que já conheci. Eu estava cego. Foi o maior
erro da minha vida e me culpo todos os dias por isso. Se esse erro me
custar viver longe de você pelo resto dos meus dias, me considero morto.
- Para com o drama, Pedro. Eu que faço… aliás, fazia isso. Você
parece um maluco! O cabelo todo despenteado, roupas amassadas, a barba
sem fazer por meses… se a intenção era impressionar, você conseguiu.
- Mariana, olha nos meus olhos e me responde:O que você fez desde que
me disse adeus? Você sentiu minha falta? O que você sente por mim?
Pedro segurava o braço de Mariana e tinha aproximado seu corpo do
dela… sentia o ar quente que saia da boca dela, o desejo corria por suas
veias.
Em um movimento, Mariana se livrou das mãos de Pedro e respondeu, quase berrando:
- EU VIVI A MINHA VIDA, PEDRO. ME ENTREGUEI NAS MÃOS DE QUANTOS
HOMENS EU PUDE! E SABE POR QUE ISSO? SABE POR QUE, PEDRO? PORQUE EU
QUERIA TIRAR VOCÊ DO MEU CORPO E DA MINHA MENTE! EU NÃO AGUENTO MAIS
AMAR UM HOMEM QUE ME VIU COMO SEGUNDA OPÇÃO O TEMPO TODO! EU NÃO
AGUENTAVA ENTREGAR MINHA VIDA À VOCÊ, ENQUANTO VOCÊ ENTREGAVA A SUA PRA
OUTRA. EU SEMPRE TE AMEI, PORRA! EU NUNCA MAIS…
Mariana soluçava, encostada contra a parede. Pedro chorava com o rosto entre as mãos. Um silêncio ensurdecedor pairou na sala.
Pedro abraçou Mariana que tentava afastá-lo socando seu peito com
toda sua força… Cedeu. E se afundou seu rosto no corpo que tanto amava.
Nenhuma palavra foi dita. Dormiram abraçados no chão da sala, no meio de uma tarde cinza.
(O5.O9.2O11, 00h40, número 32)
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