domingo, 5 de fevereiro de 2012

Imersa.

Quando ela tira o vestido, deixa o mundo todo para trás.

A beleza da pele pálida preenche o vazio do quarto. Inunda a solidão.

Qualquer pedaço de chão fora ocupado. Se desmanchou, estilhaçada pelo apartamento.

A divisão: o corpo, sólido. E a alma no estado líquido, escorrendo…

Os pedaços eram poucos, comparados com o denso líquido que já cobria parte dos móveis. Era vibrante, de cores nunca vistas antes e de uma iluminosidade incrível.

Ninguém assistia.

A porta era censura. As janelas eram altas demais para servir de moldura para expectador. O buraco da fechadura não criava curiosidade.

Se desfez. Se desfigurou. Evaporou… Nunca mais foi vista.

Em dias de chuva, o perfume dela se espalha pelo ar que envolve seu antigo apartamento.

(O9.1O.2O11, 14h25, quando ela tira o vestido.)

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